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RIP Raúl Solnado - a guerra de 1908

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Deus é Amor

O meu Avô sempre me disse que Deus é Amor. Era um homem que acreditava profundamente em Deus e não tinha vergonha de afirmar a sua fé. Era um homem apaixonante, todo o seu discurso e os seus gestos transmitiam paz e amor. Quando alguém o desiludia ficava triste, magoado, ferido como uma criança que cai pela primeira vez. Sofreu muito na fase final da sua vida, perdeu o Grande Amor da sua vida, a minha Avó, com a qual namorara desde criança. Primeiro ficou perdido nas lembranças da minha avó que sofreu de Alzeimer, sentiu a dor de ser esquecido pela sua amada, sentiu a sua ausência, sentiu a falta dela ainda enquanto ambos viviam...Depois ela morreu e ele jurou que jamais voltaria a escrever sobre o Amor e que só voltaria a encontrar alegria quando a voltasse a encontrar no Céu! O coração do meu Avô fechou-se, uma núvem escura gelou a seu coração... Um dia o meu Avô disse que sentiu a minha Avó ao seu lado durante mais uma noite que chorava de saudade...colocou a mão no lado vazio d...

O PAÍS ONDE O TEMPO PAROU...

Quando era pequena, como sou de uma família católica, cresci entre acontecimentos religiosos, na minha aldeia. Os dias arrastavam-se numa doce calmaria, alheada do resto dos problemas do país e do mundo. Aldeia de agricultores, habituaram-se a regular as suas vidas ao sabor dos condições meteorológicas, e, nesse tempo as previsões que eram anunciadas no final do noticiário da noite, era mais falível que a sabedoria adquirida ao longo dos anos e que se adivinhava nos ossos, pela interpretação do céu, da direcção dos ventos, das fases da lua e dos ditos populares repetidos dos os anos no Borda de Água. Só as festas e romarias conseguiam acordar o povo desta letargia. As mulheres recolhiam as flores mais vistosas dos seus jardins e enfeitavam os altares dos diferentes santos que viviam na igreja fria e bolorenta. O altar-mor era o que exigia maior dedicação e empenho e havia uma luta mais ou menos pacífica, para quem teria essa honra maior! As ementas das casas mais ricas eram e...

A DOENÇA DO PODER

Procuro desesperadamente um sentimento positivo perante aquela imagem… Mais um dia aquele senhor de idade respeitável espera por alguém… Olha para quem passa por ele e espera…reconhecimento, respeito, submissão, subserviência, … Este homem era uma imagem de poder absoluto. Mandava e desmandava em todas as pessoas por quem passa agora na sua cadeira de rodas. Todos os dias volta ao seu antigo posto de poder e tenta mostrar a si mesmo que ainda tem domínio, que a sua opinião ainda conta, ainda influencia, ainda pesa. Pelo Poder trocou a família e os amigos verdadeiros, por hipócritas e bajuladores aos quais deu trabalho, fez favores, em troca de lealdade eterna. O Poder é uma droga que provoca dependência muito rapidamente, o poder torna as pessoas egoístas, vivendo apenas para satisfazer a sua sede inesgotável de poder, o Poder destrói afectos, esgota a alma, derrete o corpo… Ao ver e reconhecer aquele senhor idoso no seu fato de executivo amarrotado, com o seu rosto cansado e o seu...